quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Não ter...

A mãe virou pra ela e disse:
– Troca o CD – estava tocando umas músicas do tempo de sua mãe, obviamente, ela se encheu de alegria quando foi pedido que o CD fosse trocado. Não agüentava mais ouvir aquelas músicas e não poder cantar. Obviamente, pra manter sua pose de ‘brava’ e cara feia, ela não deixou que a aquele breve momento de felicidade transparecesse por sua expressão facial.
Sem muito pensar, ela apertou o botão do rádio e o CD logo saiu. Estava muito quente, afinal, fazia um bom tempo que estava tocando. Inclinou-se para frente e pegou o porta CDs que estava perto do câmbio. Abriu-o e começou a selecionar os CDs que ali estavam. Retirou um preto que tem umas músicas da Danni Carlos. Colocou o CD e deixou que ele tocasse todinho. Cantaram junto com Danni.
Acabado o CD, o seu humor estava magicamente um tantinho melhor – mas não se iluda, estava só um pouco, quase que imperceptivelmente melhor. Novamente, pegou o porta CDs, retirou o da Danni do rádio e, dessa vez, nada de internacional. Queria algo realmente cantável, então, retirou um que tem músicas do Acústico MTV do Capital Inicial e do Jota Quest.
“ Eu sou passageiro. Eu rodo sem parar... Eu rodo pelos subúrbios escuros, eu vejo estrelas saindo no céu. É o claro e o vazio do céu. Mas essa noite tudo soa tão bem...”
...
Cantaram todas as músicas junto com o Dinho.
De todas elas a garota tirou algo e sentiu algo a cada uma delas.
Sentiu vontade de ver o caminho do mar e as estrelas aparecerem no céu, vontade de ser um passageiro e rodar cantando ‘lá lá lá lá lálálá...’. Sentiu uma vontade absurda de, por alguns instantes, de já ter dezessete anos e se chamar Natasha, de ter sete vidas e de dançar enquanto o mundo acaba. Sentiu vontade de tirar os sapatos, jogar tudo pro alto, sentir o chão até que o mundo girasse ao seu redor.Quis ser uma das garotas que ‘querem mais’...
“Meia-noite, noite inteira, três, quatro e cinco da manhã. Eu vou embora mas eu sempre volto atrás, porque as noites são todas iguais...”.
Teve vontade de tocar o silêncio e de estar em uma casa vazia. Quis, por um momento, seguir um caminho a cada manhã, sem que ninguém soubesse seus passos. Apagar os seus erros e viver de sol. Entrou em um leve desespero e queria um cigarro, ou, ao menos, saber beber um copo atrás do outro. Quis ir ao inferno e ao céu.
“Meu caminho é cada manhã, não procure saber onde estou. Meu destino não é de ninguém, e eu não deixo os meus passos no chão... Se você não entende, não vê. Se não me vê não entende... Não procure saber onde estou se o meu jeito te surpreende...”.
A noite já havia ido embora e o dia já tinha ido pra lugar algum. Ela queria estar em um quarto vazio e não em um carro a caminho de casa.
Percebeu que a música fogo quase se encaixava com ela se ela tivesse um ‘você’.
Ela percebeu que não tinha e nem tem um ‘você’. Não tem sentido cantar as músicas porque todas elas são pra um ‘você’, e ela só tem um ‘eu’. Um vazio ‘eu’ sem um ‘você’. Não tem um ‘você’ pra dizer que é vital como o ar e muito menos pra não ser bom o suficiente pra ir ao céu. Não tem um ‘você’ pra compreender, não tem um ‘você’ pra envolver em seu jogo...
Não ouviu as duas primeiras músicas do Jota Quest...
“Essa não é mais uma carta de amor, são pensamentos soltos traduzidos em palavras, pra que você possa entender o que eu também não entendo. Amar não é ter que ter sempre certeza, é aceitar que ninguém e perfeito pra ninguém... É poder ser você mesmo e não precisar fingir, é tentar esquecer e não conseguir fugir...”.
Ela se deu conta de que não tinha um ‘você’ pra largar e muito menos um ‘alguém’ por quem ela pudesse fechar os olhos. Ela descobre desenho em nuvens sozinha e não pode perder o juízo. Ela tem?! Percebeu que as músicas não fazem sentido algum sem o ‘você’; que as coisas não são tão fáceis sem um ‘você’, que nada é tão bom e azul assim se não temos um ‘você’. Percebeu que não tem um ‘alguém’ pra encontrar e muito menos levar pra casa. Ela não dirige ainda. Vive esperando por dias melhores.
Dentre tantas, acho que só uma não precisava de um ‘você’ pra ter sentido...
“Eu quero ficar só, mas comigo só eu não consigo. Eu quero ficar junto, mas sozinho só não é possível...”.
“... Um amor que eu desconheço...”.

E é tão cedo pra dizer que já amei alguém. É tão cedo pra dizer que amo alguém. É tão cedo pra querer amar alguém... “Então seguirei meu coração até o fim pra saber se é amor...”.

domingo, 18 de novembro de 2007

Um mal necessário.


É exatamente 21:59 agora, e eu estou aqui. Quebrada – claro que não literalmente, mas imagine alguém com o máximo de cansado mental e corporal que uma pessoa pode sentir. Imaginou? Pois bem, essa sou eu. Já tem, no mínimo, umas duas horas e meia, pra mais, que eu cheguei em casa, porém, vamos voltar ao ontem.
Ontem: desde o início do dia as borboletas estavam alvoroçadas no meu estômago, sem contar, é claro, que estão assim desde segunda-feira, porém, só vou falar de ontem porque foi o pior dia. Ah, sábado a noite, em casa, obviamente sem poder sair, afinal de contas no dia seguinte – hoje – faria a prova da Unicamp; mofando, sem absolutamente nada pra fazer e, o que é pior: sozinha.
A tarde foi meio tranqüilo, sai pra comprar umas coisas, comi esfirra (como se escreve ‘esfirra’ da maneira certa?!), assisti um filme muito bom e recomendável: Bairro 13; realmente muito bom. A noite a coisa chegou ao ponto máximo. Minha mãe saiu, minha prima também, MSN estava me estressando, ninguém muito interessante pra conversar, humor péssimo, vontade de rir, chorar, espernear, desistir e N outras vontades que ficaram apenas no plano das idéias. Recebi uma ligação ontem que, juntando-se aos votos do sábado me alegraram bastante, porém, minhas borboletas continuaram – isso se não ficaram pior, afinal, era gente demais botando fé em mim.
Oh, Deus, porque eu tenho o dom da ansiedade?!
Pois bem, hora de dormir e dizer adeus no MSN: “Boa sorte”, “Vai dar tudo certo amanhã, fica tranqüila”, “Você é inteligente, vai se dar bem”, e, a melhor de todas: “Você não precisa que eu lhe deseje sorte, você pode tudo”.
Fui dormir. Dormir?! Imagina, queria eu ter conseguido dormir quando deitei, fiquei, no mínimo, mais uma hora acordada me revirando na cama, e durante a noite as coisas não foram diferentes. Tudo incomodava, me revirava toda hora, sonhos esdrúxulos com amanhã – hoje –, medo, e tudo aquilo que uma pessoa tão ou mais ansiosa que eu passa em uma noite de véspera.
Hoje: Oito da manhã toca meu celular despertando. Revirei-me (Pois, como diria o Chicão: O pronome possessivo átono não pode vir anteposto ao verbo. Heil Chicão. Sem dúvida alguma, sentirei saudades. Claro, isso SE eu passar) um pouco na cama e, como já era de se esperar, percebi que não havia dormido nada bem. Levantei, fui pro banheiro fazer meu xixi matinal, fiz todo aquele procedimento depois que se acorda, no intuito de sair, ao acabar fui rumo ao Beco.
Sim, havia um ônibus no Beco esperando o povo que foi pra Unicamp hoje. A Luiza e o Lucas chegaram, ficamos batendo papo e, pro meu desespero, em determinado momento alguém perguntou ‘A Van do Junior já foi?’, e a resposta mais indesejada foi ‘Já, já saiu’; meus olhos arregalaram na hora, minha boca secou e eu virei com os olhos ainda arregalados pra moça que havia respondido ‘COMO ASSIM O JUNIOR JÁ FOI?’, ‘Ele já foi, vocês vão num ônibus que ta vindo com o pessoal da Barra’. Cara, juro que quase tive um treco.
Algum tempo depois o ônibus chegou e fomos. O garoto ao meu lado, eu não conhecia, e se trocamos meia dúzia de palavras na ida pra Bauru foi muito, porém, tudo aquilo que eu e ele juntos não falamos, falou o Adevaldo em sua ‘mini-palestra’ de como fazer a redação, como responder às perguntas e vários outros conselhos, inclusive sobre o tema que cairia na redação – e que estava certo.
Ao chegar em Bauru fomos ao Graal e depois pra ITE. Na ITE procurei minha sala e, ansiosamente, esperei o horário de prova.
Tic-tac, tic-tac...
Após longas quatro horas de prova, eu acabei – na verdade ainda faltavam quatro minutos pra chegar a quatro horas. Fiz uma narração em primeira pessoa; acho que me convenci de que sou boa nisso e resolvi colocar em prática. Estava crente de que havia acertado as duas questões inteiras de matemática, o que foi por água abaixo no ônibus. Em meio a todos os comentários sobre a prova, justamente quando eu me envolvo na conversa, falam de uma das questões de matemática, e, por falta de atenção, errei algo absurdamente fácil; o bom é que fio apenas metade de uma questão. No caminho de volta o povo estava todo alvoroçado, falando da prova, conferindo questões e eu tentando desviar minha atenção pra uma coisa lá no alto do céu: uma nuvem. Tentava desesperadamente ver o que aquela nuvem formava, mas não achei nada além de alguns rostos sem seus corpos.
Finalmente, Jaú. Sabe, fico feliz que essa sensação de dragões borboletando em meu estômago (como diria minha irmã) passou logo que a prova estava em mãos. Comi quase todas as minhas barras de chocolate, principalmente a de chocolate branco, que, sem dúvida alguma, é muito bom. Mas, como ia dizendo, finalmente em Jaú. Acabo meu post por aqui, às 22:38, morrendo de cansaço, sono e, sem dúvida alguma, esperando por uma longa e deliciosa noite de sono e descanso.



Au revoir e good luck pra mim. ;D



PS: Devido ao meu cansaço, esse post, sem sombra de dúvida, está nu e cru, sem passar por nenhuma correção.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Inutilidade útil.

Duas leves batidas com o dedo indicador e o médio são dadas no microfone; este faz um barulho parecido com chiado e que não é suficientemente alto para ser ouvido por todos.
- Ei, isso ainda funciona? – pergunta um dos neurônios.
- Não sei não, há tempos não usamos. Vai saber. Deve ter fundido ou coisa parecida. – responde o neurônio ao lado.
- Ah, mas se mais alguns ajudassem talvez voltássemos a funcionar, não acha? Afinal, uma hora a gente vai ter que se juntar e fazer com que nosso porta-voz funcione, mais precisamente, daqui quase duas semanas.
- Ah, é verdade... Então... Como você sugere isso? Os outros estão todos meio ocupados com outras preocupações. Uns cuidam dos trabalhos, outros da TPM e, outros ainda, não querem nem saber de nada.
– enquanto fala encosta em uma prateleira de idéias começadas que foram jogadas de lado a cada tentativa de bom uso.
- Não sei, não sei. Geralmente é você quem pensa sobre isso, fala ai gênio! Eu só estou aqui a seu comando.
- Pô, ajuda também, né?! Ou você acha que se eu tivesse uma idéia tão brilhante eu estaria aqui sem fazer nada há mais de uma semana?
- Ta bom, ta bom... Não se estressa, já basta ela com mau humor, é o suficiente.
– o neurônio gira o fio do microfone em seu dedo indicador até que ele enrole por completo e em seguida faz o movimento contrário; faz isso várias vezes enquanto conversa com seu companheiro.
- Bom, ela está escrevendo, isso já é um começo. Preocupada com a recuperação e mais outros trabalhos, porém está escrevendo. Ah, ela escreve sobre nós. – arregala os olhos num ato de descrença e desencosta da prateleira.
- Ta vendo, você fez algo. Não que nós não sejamos um bom ‘tema’, mas é algo. Se não estivéssemos tendo essa conversa maluca que, no momento, é puro fruto de sua imaginação, nada teria sido feito. Fizemos um bom trabalho! – passa a mão pelos ombros do companheiro e sorri com satisfação enquanto se encaminha para junto dos outros, deixando o microfone de lado.
- Somos uma bela dupla!
Depois que termina de escrever, a garota solta um belo sorriso e balança a cabeça num sinal negativo como se nem ela mesma acreditasse na viagem. Levanta-se da cadeira e vai para a mesa, colocar seus neurônios para funcionarem em seu trabalho de geografia.



- Palavra de hoje:
Incapaz: adj 1 Que não é capaz, que não tem capacidade.(...)

;*

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Porém.


Quando menos esperamos vem a bomba, o balde de água fria, o pesadelo, o tropeção, a queda, a vergonha, a falta de argumentos, o destino, a solidão, a depressão – mesmo que momentânea –, o abismo; a salada, ou o refogado, na hora do almoço; a adolescência, as crises, a TPM, a falta de compreensão – porque sempre achamos que somos os únicos incompreendidas da face da Terra –, a falta de criatividade, as lágrimas, que muitas vezes tardam, mas sempre vêm. A música desconhecida pelos ouvidos que diz exatamente aquilo que precisamos ouvir quando tudo parece estar cada vez mais, afundando em um poço quase que sem fundo, um buraco negro, com uma gravidade esmagadora. A vida tem trilha sonora. Junto disso tudo, vêm um ‘porém’. Afinal, “no meio do caminho sempre tem um porém” (palavras do Rodrigo, sábio professor de redação e jornalista).


Música:

Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz
Mas não me diga isso

Hoje a tristeza não é passageira Hoje fiquei com febre a tarde inteira
E quando chegar a noite
Cada estrela parecerá uma lágrima

Queria ser como os outros
E rir das desgraças da vida
Ou fingir estar sempre bem
Ver a leveza das coisas com humor

Mais não me diga isso!
É só hoje e isso passa...
Só me deixe aqui quieto
Isso passa.

Amanhã é outro dia
Não é?

Eu nem sei por quê me sinto assim
Vem de repente um anjo triste perto de mim
E essa febre que não passa
E meu sorriso sem graça
Não me dê atenção
Mas obrigado por pensar em mim.

Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz
Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido
Eu me sinto tão sozinho
Quando tudo está perdido
Não quero mais ser quem eu sou.

Mais não me diga isso!
Não me dê atenção!
E obrigado por pensar em mim...♪

Legião Urbana - Via Láctea

=*

domingo, 21 de outubro de 2007

Tic-Tac.


É fim de tarde. O sol alaranjado que ilumina as nuvens brancas e o céu azul, fazendo com que esse fique róseo, se esconde por entre as montanhas anunciando o fim de tarde e a noite que já vem. Abrindo caminho no céu para que a Lua tome seu lugar durante algumas horas. Esse que ao meio dia estava no topo agora dá lugar a um simples satélite natural que depende do próprio para ter luz. Divina Lua.
Eu o observo ao longe e, se prestar bastante atenção, posso ouvir o barulho chiado que faz ao tocar no mar. Glorioso mar. Azul. Que trás tantos mistérios, que leva tantos com ele. Egoísta. São poucos os que ele devolve a terra. Magnífico mar. Sol e mar se tocando e o som que disso provém anuncia mais um dia que se vai. Mais um dia perdido, mal aproveitado.
Nesse instante o abismo parece convidativo. Posso ver as águas enfurecidas do mar batendo nas rochas enquanto a luz alaranjada do sol me ilumina e o céu azul celeste já não é mais azul, é rosa e laranja.
Eu vôo até as rochas e quando chego até bem perto delas o despertador toca. Pipipi pipipi... É hora de levantar.





Música:
Agora está tão longe
Vê, a linha do horizonte me distrai:
Dos nossos planos é que tenho mais saudade,
Quando olhávamos juntos na mesma direção...♪

Legião Urbana - Vento no Litoral


- Palavra de hoje:
Leve: ajd 1 Que pesa pouco. 2 Que não é grave, que não é perigoso. 3 Que não é importante. (...)


=*

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Finalmente...


É incrível como, às vezes, idealizamos as coisas. Pensamos tanto e queremos tanto aquilo que acabamos por imaginar como seria, planejar. Viajamos na imaginação, pensando se será bom ou ruim, se alcançaremos ou não aquilo que almejamos, sonhamos. Sonhamos alto. Voamos longe em busca daquilo que não está (ainda) ao nosso alcance. E, infelizmente, se não é tudo aquilo que imaginamos, acabamos por: ou desistir do que tanto queríamos ou lutamos para que seja como imaginávamos.
Esse ano é assim com faculdade e vestibular. Venho idealizando isso há anos e esse é o decisivo. É nesse ano que vou tornar real aquilo que tanto esperei. Que vou (ou não) para a faculdade que eu sempre quis – ou para aquela segunda opção, que na verdade, não quero, mas quero, entende? – e é nesse ano, em especial, que imagino como será minha vida republicana ao lado das meninas. Hoje mesmo estávamos discutindo qual seria o nome da nossa república se passarmos no vestibular. Exato, SE passarmos. É realmente massacrante não ter certeza.
Pretendemos seguir a São Carlos se formos aprovadas. E, havia um cartaz dessa faculdade em um dos murais da escola. Sim, havia...
Um belo dia da semana passada estávamos eu, Kaira, Bruna e Marina passando por ele e o notamos. A Kaira se empolgou e o queria de todo quanto era jeito. Porém, naquele dia, justamente onde estava o mural com o cartaz – que reluzia para nós e pedia incessantemente para ser tirado de lá – estava cheio. Parecia que todo mundo da escola tinha resolvido se encontrar naquele ponto, inclusive inspetores e professores. Tudo bem. Superamos. Passamos a semana toda “bolando um plano” para pegarmos o cartaz, chegamos até a tirar alguns dos grampos que o segurava, só que, no dia seguinte, outros novos estavam lá.
Tudo bem, paciência.
Antes de ontem, passando pelo cartaz não havia ninguém por perto, nem uma alma penada pra contar história. E, quem percebeu isso? Eu. Informei as meninas. Era chegada nossa hora. Seria O furto.
Começamos a tirar os grampos. O problema é que foi só começarmos e as pessoas começaram a aparecer. Os professores resolveram sair da ‘sala dos professores’, as meninas vieram beber água e, infelizmente, trouxeram um inspetor junto. “Bruna, vai lá e distrai ele. Faz com que ele vire pro outro lado”. Ela foi, rodeou, rodeou e nada... Enquanto isso eu e as outras tirávamos os grampos discretamente. Até que a Kaira se ‘irritou’ e tirou o antepenúltimo e o penúltimo. Ele virou. Quase caiu. As quatro começaram a rir sem parar, eu comecei a andar em direção a sala. O inspetor não viu, ou fingiu. A salvação. Estava morrendo de ir enquanto caminhava em direção a sala e encontrei o Will (Lauriberto, funcionário da escola e nosso amigo) no meio do caminho. Amém. Peguei-o pela mão e levei-o até o cartaz. Ele tirou pra gente.
Fomos, então, felizes e saltitantes pra sala, com o cartaz na mão. Dividimos em quatro e tiramos ‘par ou ímpar’, pra ver quem ficaria com qual parte.
E, o cartaz é nosso. Literalmente.
Eu, além do cartaz, consegui mais uma coisa: meu livro. É, finalmente chegou meu livro. “Malu de Bicicleta”, Marcelo Rubens Paiva. Já pude sentir o gostinho das palavras de 90 páginas. Estou feliz por isso.
Nada filosófico e construtivo, porém, nem tudo o que reluz é ouro. ;D


Música:
Vou me largar no sofá
Tomar um mate-limão
Reflito um pouco e chego a uma conclusão
Nada brilha mais que a vibe da tua alma
O bem e o amor superam tudo
E quando o sol invade os olhos
É só pra te lembrar
Que o bom da vida não tem preço
E é hora de acordar
Felicidade é um fim de tarde olhando o mar
E a gravidade não te impede de voar
Perto de toda positividade
A onda boa se propaga no ar...♪


Forfun – Hidropônica

Au revoir. ;*

domingo, 14 de outubro de 2007

Borboletas procuram flores...


Garotos procuram garotas. Nem sempre, alguns procuram outros garotos, alguns não procuram garotas, e outros, ainda, não procuram nem um e nem outro. Garotas, constantemente procuram garotos. Sim, constantemente. Não vai teimar comigo, não é mesmo? Quer prova melhor disso do que uma adolescente de 16/17 anos? Obrigada.
Garotas procuram garotos sempre. Podem ter acabado de quebrar a cara, porém, estão lá, ‘firmes’ – ou quase firmes – a procura deles.
Pode ser loiro, moreno, alto, baixo, japonês, libanês, australiano, norte-americano, não importa; o importante mesmo é um garoto. Aquele garoto que vai fazer o coração disparar, as pernas tremerem, as mãos suarem. Vai te fazer ficar sem ar quando passar ao seu lado, e te fará ficar na ponta dos pés e fechar os olhos só para poder sentir um milímetro do perfume dele. É como se, assim, conseguisse um pedacinho do garoto. E se ele cumprimenta? Meu Deus! É o melhor dia do mundo. A principio, claro, nada é dito. Ficamos bobas, paradas, feito estátuas. E ele com aquele lindo sorriso, acena e cumprimenta, e a garota o olha com cara de boba, sem nem perceber que o catchup e a mostarda do lanche que estava comendo caíram na sua camiseta branca, que era o uniforme da escola, e manchou todinha. Ela suspira e nem se importa com mais nada. Fica na aula boba viaja, enquanto a professora de matemática revolve exercícios na lousa; quando a professora lhe faz uma pergunta, ela se volta para aquela velha maluca que está à sua frente e pensa: “Do que essa doida está falando?”, ainda com aquele sorriso idiota nos lábios.
A professora balança a cabeça e aponta para sua ‘próxima vítima’, ao passo que sua aluna apaixonada, com a mancha de catchup na blusa, continua numa longa viagem por um ‘filme’, voltando à fita várias vezes até o momento do “Oi”, acompanhado pelo sorriso mais lindo do colégio. Não, não. Do colégio só não, do mundo.
Vai para a casa e lá ela fica o dia todo pensando nele. Escreve em seu diário e, antes de dormir, olha -se no espelho e tenta imaginar o que ela teria dito se não estivesse tão hipnotizada. Chega a vislumbrar o garoto vindo em sua direção em um carro 0 km – sim, 0 km, porque hoje em dia garotas não sonham mais com cavalo branco – parando em frente à escola para dizer tudo aquilo que ela mais deseja ouvir: uma declaração de amor. Ela dorme.
No dia seguinte, ele aparece de mãos dadas com outra, e, por ser o garoto mais popular da escola (porque as garotas nerds sempre se apaixonam ou pelo mais popular ou pelo mais galinha) era o assunto do dia: ele estava namorando.
A notícia lhe cai como um iceberg, não só um balde de água fria. Ela vai para o banheiro e chora, chora, chora. Seus olhos e nariz ficam vermelhos e inchados. Ela fica lá até o final da aula. Era mais um de seus vários amores que não deu certo.
Depois dessa ela amadurece claro, sempre amadurecemos. Porém, é agora que começa a história, ela entra na fase dos amores platônicos. Resolve que não vale a pena sofrer por um garotinho popular. Dali a dois anos ela vai para a faculdade. Vamos inovar.
Não é mais a menininha nerd do outro dia, aquela que estava trancada no banheiro, é agora uma colegial. A professora de matemática foi despedida e entrou, no lugar dela, um professor. É, um professor. Dez anos mais velho que a aluna, exatamente dez anos mais velho. Alto, cabelos escuros, olhos castanho claros. Com apenas um defeito: uma aliança.
Ela já não procura mais garotos, já até esqueceu aquele que ela gostava até ontem. Qual era mesmo o nome dele?
Surge então seu primeiro ‘amor platônico’. Ele dá atenção e ela se apaixona. Escreve poemas sobre e para ele, que, obviamente, nunca entregará. Que abuso, ele é noivo. Dois longos anos se passam. Ele se casa. Ela o ama, platonicamente, mas não deixa de amá-lo. Vê as fotos de seu casamento. Isso não lhe traz mágoas, ela gostou dele quando ele já era noivo, não tem nexo. Porém, escreve. Escreve sobre o que viu nos olhos dele e diz adeus. Adeus a algo que nunca teve e que, definitivamente, nunca terá.
Amores platônicos. Quando não procuramos por garotos, arrumamos amores platônicos. E esses acabam por fazer bem, afinal, é por eles que choramos sem querer que sejam nossos. É por eles que aquela música que tem o ritmo triste, mas que é inglês e você não entende nada, se torna perfeita para momentos de fossa. É por eles que nosso coração dispara e as borboletas do estômago acordam. É por eles que as pernas tremem. É com eles que queremos conversar quando estão por perto, mesmo sem ter assunto algum. E foi ele que me levou a escrever isso.




Música:
Quando se aprende a amar.
O mundo passa a ser seu.
Quando se aprende a amar.
O mundo passa a ser seu.
Sei rimar romã com travesseiro.
Quero minha nação soberana.
Com espaço, nobreza e descanso...♪


Legião Urbana - Se Fiquei Esperando Meu Amor Passar.


Beijos, beijos. =*

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Quem não pediu que 'pida'.


Conforme o tempo passa, percebemos o quanto ainda temos para aprender. Pensamos que aprenderemos as coisas novas com pessoas inteligentes e de nome conhecido, pessoas que são formadas em doutorado, mestrado, ou, até mesmo, apenas uma pós-graduação.
É ai que erramos. É quando menos esperamos que as coisas aparecem em nossas vidas, nos ensinando lições, abrindo nossos olhos para vermos que da vida não sabemos nada, por mais velhos que sejamos. Ela nos abre os olhos para o que o mundo tem de mais incrível: a realidade.
Vemos na TV, em revistas, jornais, anúncios, outdoors, ouvimos no rádio, dentre tantos outros meios de comunicação como o mundo sofre com desigualdade, pobreza, fome, desnutrição, desmatamento e tantos outros problemas sociais de que somos conscientes, ou pelo menos achamos que somos até o momento em que presenciamos, vivemos, sentimos na pele.
Hoje eu posso dizer que sou consciente de toda a desigualdade do mundo, e percebi isso num lugar onde vivo, mas que nunca tinha parado para observar. Achava que ao meu redor não tinha disso. Sempre achamos. Estava errada. Não via porque não queria ver, ou porque nunca tinha procurado sobre. Hoje eu vi. A imagem se fez nítida e presente em minha retina que nunca tinha visto com tanta clareza, ou ao vivo. Vi que um simples sorvete pode brotar uma lágrima nos olhos de idosos que não têm tantas condições de tomá-lo sempre. Vi o brilho nos olhos de crianças ao receberem um simples pacotinho de pipoca doce. Vi crianças que, mesmo não tendo esse tipo de oportunidade sempre, diziam a verdade quando perguntávamos se ela já tinha pego um pacotinho. Dentre cinqüenta crianças posso contar nos dedos quantas delas estavam com um chinelo ou qualquer outro sapato no pé.
A principio, ainda nas ruas asfaltadas, as coisas não parecem tão “lamentáveis”, e o coração ainda se faz duro dentro do peito. Porém, chegando nas ruas já não asfaltadas, que são de terra e pedra apenas, vemos que é lá onde as crianças menos têm sapato e tem que andar por entre aquelas pedras sem um calçado. Muitas vezes machucando o pé em algum caco de vidro ou até mesmo nas pedras. É minha cidade. Uma cidade média, com cerca de 200 mil habitantes e eu nem sabia que nela existia isso.
É depois de um tempo debaixo do sol quente entregando sorvete e vendo sorrisos nos olhos e lábios das crianças que percebi o quanto era gratificante estar ali, com calor e sede, mas recebendo em troca sorriso e agradecimentos.
"Deus te abençoe menina", e os olhos se enchem de lágrimas com o sorvete de groselha nas mãos. E eu respondo "Amém", com o meu coração mais mole e com um sorriso no rosto, porém com os olhos cheios de solidariedade e remorso por reclamar tanto de coisas tão supérfluas que não são absolutamente nada em comparação com o que aquela gente passa.
A partir dessa sexta-feira, 12 de outubro, todos os anos eu estarei lá, não sei se contribuo assim para um mundo melhor, mas pelo menos em um dia do ano farei alguns felizes e receberei em troca apenas sorrisos inocentes de crianças que tinham como a primeira refeição do dia aquele sorvete, pipoca, bala e pirulito que eu lhes entregava.
Devemos aprender a dar valor ao que temos, mesmo que não tenhamos muito, acredite, tem pessoas que vivem com menos que nós e mesmo assim VIVEM, e estão sempre prontas para abrir-nos um sorriso.
Desejo imensamente que todas as crianças tenham um dia maravilhoso hoje e desejo mais ainda que um dia as pessoas se conscientizem de tudo o que têm, aprendam a lutar por um mundo melhor, onde a desigualdade seja mínima; e reclamem menos.



Música:

Quem me dera, ao menos uma vez,
Provar que quem tem mais do que precisa ter
Quase sempre se convence que não tem o bastante
E fala demais por não ter nada a dizer
Quem me dera, ao menos uma vez,
Que o mais simples fosse visto como o mais importante
Mas nos deram espelhos
E vimos um mundo doente... ♪


Índios – Legião Urbana



- Palavra de hoje:
Sapato: sm Calçado que protege o pé.


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